sábado, 11 de agosto de 2012

2 - Sem Tìtulo


Tudo estava pronto no domingo. Estava terminando de dar o nó em minha gravata às sete e meia. Sorri para o espelho, extremamente confiante, como sempre, espalhando meu cabelo sobre os olhos. Para me fingir de ansioso resolvi esperá-la já à mesa, então desci ao restaurante.
Pontualmente Susan entrou, com um vestido muito curto e botas altas, toda de preto. Eu nunca a tinha visto tão bonita. Pisquei para tirar esse pensamento da minha cabeça, beijando a mão dela enquanto sentava.
- Velhos hábitos, Julian? – ela sorriu.
- Só para damas charmosas como você.
Ela riu, escolhendo seu prato tão rapidamente quanto o vinho que mais a agradava. Susan começou a bebê-lo cedo, como eu torci. Conversamos muito, rimos muito. Ela parecia estar ficando alterada e eu comecei a tirar vantagem disso, usando vários flertes e brincando com suas mãos enquanto ela me olhava intensamente.
- Bem, melhor eu parar de beber. Eu tenho que conseguir voltar pra casa sozinha depois... – ela riu.
- Você vai me deixar aqui... sozinho? A noite toda? – fiz um rosto triste.
- O plano original era esse... Mas se você quiser muito, posso até pensar em mudá-lo.
Ela disse isso com uma voz baixa e sexy, com um olhar muito forte. Não pude evitar pensar que eu queria, e muito. Mas só para matá-la, claro! Claro?
Mesmo em dúvida pedi a conta. Susan entrou no elevador e apertei o andar rapidamente. Ela brincou com minha gravata e encostava e desencostava seus lábios nos meus, obviamente me provocando. Eu a prendi contra a porta enquanto a destrancava, me aproximando.
Ela entrou no quarto, deixando um cheiro doce que me deixou avoado por um instante. Quando recuperei meus sentidos, Susan estava no banheiro, sentada na banheira com uma das mãos sobre a torneira do chuveiro.
- Então... Como vai ser? – ela sorriu ironicamente.
- Alguma... Preferência? – eu respondi surpreso. Claro que a visualizei lá. Mas só depois de morta.
- Eu achei que aqui era o lugar perfeito. – ligou o chuveiro indo para o lado oposto – Boa proteção acústica. Ninguém vai ouvir seu tiro, John.
- Do que você me chamou? – minha boca abriu em choque.
- John, Julian. De John. Seu nome verdadeiro. Certo?
- Achei que estivesse bêbada e confusa depois da garrafa quase inteira de vinho que tomou. – eu disse, sério – Estava errado, obviamente.
- Definitivamente. – ela riu – Olha só o matador que enviam para mim. Não escolheria nenhum outro para o serviço... Estive gostando dos seus métodos demais. E já ouvi que fica ainda melhor no final.
- Então sabe o que vai acontecer. Muito interessante. – disse, irônico – O que vou fazer agora?
- Você vai atirar em mim e então cortar meus pulsos. Já derrubei as pílulas na pia e no caminho, como pode ver... – ela ficou quieta quando me aproximei e coloquei a arma em sua barriga.
- Ninguém vivo sabe essas coisas. – sussurrei – Últimas palavras?
Inacreditável. Ela riu. Dei alguns passos para trás e atirei na altura da cintura dela. Como ela continuou rindo, ergui minhas sobrancelhas, surpreso. Susan se levantou e jogou a bala aos meus pés, tirando-a do colete a prova de balas que devia estar usando sob o vestido.
- Não dar crédito suficiente a seu serviço pode se tornar um grande erro, John Venom. Ou você achou mesmo que eu não sabia que viriam atrás de mim?
- Achei. Você não parece tão esperta. – eu a deixei passar de volta ao quarto.
- Eu não posso ser burra e encurralar Walter como tenho feito, posso?  Falta de inteligência da sua parte. – Susan bocejou.
- Bêbada você não devia lembrar nem seu nome.
- Nem bêbada eu fico burra. Até onde eu sei, pelo menos. – ela se deitou na cama, fechando os olhos.
Eu a observei. Agora que ela sabia quem eu era, não poderia deixá-la viva. Pelo contrato, um tiro na cabeça estava fora de cogitação... Seria impossível que ela atirasse na própria cabeça com o nível de medicamentos em seu sangue – tinha planejado que ela tomasse os remédios antes. Concluí que não tinha escolha. Mesmo que fosse contra o que eu mais acreditava, que era inteligência no lugar da força.
Peguei a faca que mantinha em minha meia. Me aproximei silenciosamente de Susan e pressionei a arma contra seu pescoço, segurando-a deitada. Ela deu um pequeno salto de susto, abrindo um pequeno corte cedo demais.
- Achei que não faria isso. Que fosse contra seus princípios.
- Não tenho princípios. – sussurrei.
- Vá em frente então. Aperte mais. – ela me encarou, séria.
- Ah, não. Devagar é melhor... Aumenta a dor. – apertei a lâmina levemente, abrindo o corte o suficiente para que sangrasse.
- É, você tem razão. – se encolheu levemente – Bom, vai valer a pena, se as histórias forem reais.
- Quais? – me aproximei, pressionando um pouco mais.
- O longo beijo... Antes da morte... – sussurrou, deixando uma lágrima de dor escorrer por seu olho.
- Não se preocupe. Vai descobrir. – sorri ironicamente, depois de ter soltado a faca um pouco.
Pela primeira vez me apiedei de uma vítima. Foi a primeira lágrima que me doeu. Me aproximei de seus lábios vermelhos, apertando a faca até ouvi-la soltar um gemido de dor, e então a beijei.
Este foi meu segundo erro.
Pois algo estranho aconteceu ali. Susan me beijou de volta de uma forma que não tinha feito antes... Tinha paixão, luxo, desejo... Foi tão intenso que soltei minha arma sem prestar atenção até ouvir o baque surdo que fez no chão frio. Antes que eu pudesse me mover, ou sequer pensar, me vi embaixo de Susan que pressionava a mesma faca contra meu pescoço – da maneira errada, devo dizer, com o cabo.
- Mas que…
- Shh. Achou mesmo que ia ser fácil? Estava errado. – ela se curvou sobre mim, beijando meu pescoço até minha orelha – Se tivesse pesquisado um pouco mais... Talvez não estivesse nessa situação.
- Se você não fosse tão curiosa e metida a detetive, você não teria de estar aqui. – respondi – Você podia estar fe...
Não consegui continuar porque ela pressionou o cabo da faca contra meu esôfago me deixando sem fôlego. Então ela tirou uma agulha da sua bota, apontando para minha jugular. Se curvou de novo, seu nariz tocando o meu.
- Últimas palavras, John?
- Sem... Chance...
Tive que pular para beijá-la, mas consegui o que queria: Susan amoleceu e pude jogar sua agulha para longe e recuperar minha faca, cortando as costas dela. Ela se encolheu e foi a chance que tive de colocá-la para baixo, segurando seus braços com uma de minhas mãos. Ergui meu outro braço e me preparei para dar um golpe, mas fui puxado pela gravata com a mão que Susan conseguiu soltar e fui beijado novamente.
Sem ter soltado a faca, uma dor aguda me atingiu no flanco e percebi estar sendo apunhalado. Eu a soltei e joguei a arma para longe de nós dois, achando que acabaríamos a luta ali. Pelo contrário, ela me chutou entre as pernas e correu para a lâmina, sendo jogada ao chão quando pulei atrás dela, desequilibrado com a dor.
- O que é que tem de errado com você? – eu gritei.
- Você! E quero acabar com tudo que tem de errado comigo! – ela tentou se arrastar para longe.
- Talvez pudéssemos ser mais razoáveis! – eu a puxei pelas pernas, afastando-a da faca – Pensar em um acordo ou alguma coisa!
- Que tipo de acordo pode-se fazer com um assassino?
Susan usou o salto da bota para apunhalar meu braço e pegou a faca. Eu desviei de alguns golpes até conseguir segurar as mãos dela, colocando-a contra a parede com um braço torcido e o outro seguramente preso com meu corpo. Uma das minhas pernas prendia as duas dela contra a parede para evitar surpresas. A jornalista estava completamente paralisada.
- Agora, vamos conversar, como pessoas civilizadas. – sussurrei no ouvido de Susan.
- Você não tem nada de civilizado. – ela respondeu entre lágrimas.
- Se eu não tivesse você não estaria aqui agora, não é? – a beijei pelo pescoço e por um de seus ombros, expostos graças ao corte que se estendia por parte de suas costas.
- Não. Mas eu não teria caído em seus truques e essa situação embaraçosa... – teve um arrepio depois de um beijo que dei em sua orelha – seria dispensável.
- Eu até que gosto dessa situação embaraçosa... Assim como gosto...
- Cala a boca. Anda, acaba o serviço. É a única coisa que você gosta de fazer, não é? – Susan virou sua cabeça para longe de mim.
- Podíamos fazer um acordo. – eu segui seu movimento, sem deixar de beijar sua pele – Que beneficiaria a nós dois.
- O que você propõe? Que eu pule da janela e você fica feliz ou o que? Que eu fique quieta para que você me deixe ir e fique vulnerável para o próximo assassino que eles mandarem? – ela tentou se soltar, em vão.
- Eu proponho... – a coloquei de frente para mim, separada só pelo comprimento de nossos narizes – Que você me contrate enquanto caçamos Walter. Podemos fazer um plano, o encurralamos e o matamos. Ou o prendemos, está bem. – dei de ombros depois do olhar enojado dela – Que tal?
- Imprudente e absurdo. E aposto que caro. – ela me olhou fixamente – Sem termos extras?
- Poderia pensar em alguns, mas você deveria estar de acordo... – eu sorri, provocando-a.
- Eu pago o que ele está te pagando. Nem um centavo a mais. E só 15% adiantados.
- Feito. – soltei seus braços, puxando-a para mais perto – Mais alguma coisa?
- Só esta noite. – e me beijou.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Sem Titulo - 1


1-

Era uma terça-feira de primavera com um fim de tarde quente quando o telefone finalmente tocou no quarto 144 do Hotel Bella Muerte, onde eu estava hospedado.
- Boa tarde, Sr. Venom. Como tínhamos combinado, escrevi tudo que pediu. – disse Walter, com sua voz grave e forte.
- Tudo bem. Onde estão? – perguntei, com pressa.
- Primeira gaveta do seu guarda-roupa. Quero que acabe até quinta-feira, em duas semanas. E sem evidências de assassinato.
- Problemas de depressão, certo? – sorri.
- Exatamente. Mais uma razão por ter escolhido você. Espero que não haja falhas.
- Não se preocupe Walter. Eu não cometo erros. Mantenha contato... Mas devo estar ocupado nos próximos dias. Adeus. – desliguei o telefone.
Fui até o guarda-roupa do hotel, tirando um grande envelope branco da gaveta com um nome escrito em vermelho. “Susan Roth”. Eu o abri e comecei a ler as informações rapidamente. “Jornalista revela esquema de contrabando”...”Roth descobre a razão da morte de 80 pessoas no interior”..
Atrás, ele observou a foto dela por um tempo. Embaixo, escrito em uma pequena e apressada letra lia-se “vista muitas vezes jantando no shopping SPS”. Coloquei meu capacete, peguei minha moto e fui direto para lá.
Em alguns minutos andava pela praça de alimentação observando a variedade de restaurantes e fast-foods ao redor. Peguei um pequeno cartão do meu bolso e olhei a foto de Susan, fingindo escolher um lugar para jantar. Quando achei que não a encontraria, consegui.
Ela estava sentada em uma mesa próxima, completamente focada em sua própria comida. Me aproximei colocando a bandeja sobre a mesa, o que a fez erguer os olhos um pouco. Ela me encarou por um tempo e pude imaginar a impressão que estava fazendo. Afinal, sou alto, um pouco pálido, com olhos avelã e cabelo castanho, que cuidadosamente baguncei antes de sair de casa. A olhei de volta, com meu melhor sorriso. A foto que me entregaram parecia bem recente: cabelos vermelhos, olhos azuis profundos e vazios, sardas...
- Está esperando alguém? – perguntei, sem deixar de sorrir.
- Não. – Susan respondeu secamente.
- Posso me sentar então?
- Tenho escolha? – ela sorriu, irônica.
- Felizmente não.  – me sentei. Pelo olhar que ela me lançou acreditei que esperava mais alguma coisa. – Ah, desculpe-me. Sou Julian, Julian Stokes.
- Prazer. Susan Roth. – esticou-me sua mão.
- O prazer é todo meu. – sorri largamente, pegando a mão e beijando-a levemente.
Susan me olhou curiosamente, tirando a mão de perto de mim rapidamente. Comecei a puxar conversa, não desistindo mesmo que ela me respondesse de forma dura e curta. Depois de um tempo, quando passei a descrever meu maravilhoso “emprego” como cirurgião no hospital de uma cidade próxima e como eu adorava ler o jornal enquanto sentava-me em um parque, Susan começou a falar mais, dividindo alguns pensamentos da sua carreira jornalística após se formar na universidade estadual.
O diálogo durou mais do que eu esperava, e as lojas começaram a fechar. Susan suspirou.
- Infelizmente eu tenho que ir. Amanhã trabalho cedo no jornal. – ela pegou um bilhete de metrô do bolso.
- Não quer uma carona? – sorri.
- Droga. Moto?
- Com capacete incluso, é claro. – pisquei.
- Certo... Moro na 22 com a 5ª.
Eu a levei até minha moto, com ela logo atrás. Isso estava sendo muito mais fácil do que eu tinha planejado.  Susan me segurou fortemente até chegarmos à frente de um prédio alto e velho, com várias janelas quebradas e tinta saindo das paredes.
- Obrigada pela carona. – Susan me devolveu o capacete.
- Quando posso te ver de novo, Susan? – sorri.
- Bem, quem sabe, não é? – ela riu.
- Mesmo lugar amanhã, talvez?
- Talvez. Se você conseguir lembrar onde estávamos... Posso deixar você sentar de novo. Boa noite, Julian.
Eu a observei entrando no prédio, com um último aceno antes de passar pela porta. Assobiei baixo. Acho que jornalismo não dá um bom lucro, afinal... Dei uma risada curta e fui embora.

No dia seguinte me aprontei rápido, mas tentei me arrumar melhor. Tinha que impressioná-la ainda mais então coloquei a melhor polo que tinha, combinando com um jeans, e trabalhei duro para ajeitar o cabelo para fora dos olhos. Me olhei no espelho e duvidei que ela fosse resistir, saindo.
O lugar estava mais cheio que no dia anterior. Como não tinha certeza se eu devia chegar à mesa já com meu jantar, tentei seguir os mesmos passos que no dia anterior. Com tantas pessoas me confundi por um momento, mas encontrei aquele cabelo ruivo cacheado da minha vítima finalmente. Me aproximei com um olhar profundo e sorrindo amplamente.
- Boa noite, Susan.
- Julian. Já estava faminta… - Susan começou a se levantar.
- Por favor, não se incomode. Posso te trazer comida. – sorri ainda mais – Alguma preferência?
- Só me traz o que você for comer mesmo. – deu de ombros.
Eu pisquei e segui para um dos fast-foods comprando dois sanduíches e voltando rapidamente.
- Você nunca se importa com o que come? – perguntei.
- Não, pelo menos desde que comecei a escrever para o jornal. O estágio era duro, pouco tempo para comer. Ou qualquer coisa, na verdade. – ela riu – Nunca pensei que seria a fase menos trabalhosa da minha vida.
- O que quer dizer?
- Bem, ir atrás das minhas histórias dá tanto trabalho... Mesmo que por curtos períodos. Não é fácil encontrar criminosos, sabe. – engoliu um grande gole de refrigerante – Pode demorar meses. E geralmente não desisto de encontrar quem estou procurando... Afinal de contas, ainda não falhei.
Eu pisquei algumas vezes, chocado. Não pude deixar de pensar em mim quando ela disse essas coisas... Mas é claro que não. Me esforcei para mudar de assunto - péssima ideia. Susan não era nada como parecia. Não era nada sensível – gostava de filmes violentos. Nem frágil – bebia e comia principalmente coisas fortes. Tão... Parecida comigo que estava ficando assustado. Tinha que conquistá-la logo. Pelo menos não tinha que mentir para conseguir isso… As semelhanças estavam fazendo isso por mim.
Susan deixou que eu a levasse para casa de novo. Assim que ela desceu da moto, perguntou:
- Quando nos vemos de novo?
- Quando você pode? – sorri.
- Domingo? Está passando um filme bom no cinema aqui perto.
- Parece bom. Aquele de terror?
- Exatamente. – ela sorriu – Espero você lá.
- Não quer que eu te busque?
- Não. Tenho que passar no jornal primeiro.
- Tudo bem. Te vejo domingo então. – peguei a mão dela, a beijei e fui embora, sem olhar para trás.

Domingo chegou cedo e tarde demais ao mesmo tempo. Eu não queria vê-la de novo, mas tinha certeza que ela ainda não tinha se apaixonado e isso faria tudo mais difícil do que devia. Suspirei enquanto me olhava no espelho, imaginando o que mais aquela mulher tinha, mas empurrei isso pro fundo da minha mente o mais rápido que pude.
Quando cheguei no cinema ela já estava me esperando na fila para comprar ingressos. A calça preta que ela usava era bem justa e as curvas estavam tão a mostra que não pude deixar de ficar olhando por um tempo antes de parar a seu lado, assustando-a. Sorri, tentando não olhar mais.
- Olá, linda. Você está maravilhosa. – murmurei no ouvido dela.
- Obrigada. Você não está nada mal também. – ela corou.
- Que tal eu comprar os ingressos enquanto você busca a pipoca?
- Parece bom. Vou te esperar lá.
Não consegui evitar assisti-la até que ela sumisse dentro do prédio. A fila não demorou tanto quanto eu queria... Ficar perto dela estando tão bonita era difícil. Por um momento achei que ela sabia disso. Mas era loucura, claro.
Quando o filme começou ela me deixou passar o braço atrás de seus ombros e ainda se aproximou. Fiquei agradecido pelo escuro. Tenho certeza de que corei e isso era ridículo. Após um tempo pensando, concluí que eu poderia curtir meu trabalho antes de terminá-lo... Ao menos um pouco.
O filme acabou sendo mais assustador do que eu pensei e Susan aparentemente notou o mesmo, já que ela  ficava escondendo o rosto em meu ombro várias vezes. Todas as vezes pude cheirá-la... Era tão doce que não consegui me controlar. Em uma das vezes me aproximei e notei que ela não se afastou. Então a beijei.
Foi o meu primeiro erro.
Algumas horas depois estávamos em frente à casa dela. Combinamos outro encontro para terça e eu sabia que teria de ser o último. Estava arriscando demais.

Depois de três outros encontros, Susan virou para mim sem sair da moto.
- E então? Mais planos?
- Estive pensando em ir a outro lugar domingo... Sei de um ótimo restaurante de massas, não muito longe.
- Qual é o nome? Para eu ler as críticas, sabe? – Achei que Susan soou irônica.
- Bella Muerte. Pratos ótimos. Vinhos fantásticos. Se você achar a companhia boa…
Susan riu, concordando com a cabeça.
- Oito horas?
- Em ponto. Te espero lá. – pisquei.
Susan riu mais uma vez e entrou. Tudo ia como planejado: ela estava apaixonada e não desconfiava de nada. Agora tinha uns dias para encontrar as pílulas, bolar o bilhete de suicídio... E minha passagem pra Austrália.